sábado, 25 de setembro de 2010

No pic for a bit!

Nada de post por enquanto, isso é mais um aviso: Se você também voltou de intercâmbio agora, ou retornou ao país de origem depois de morar no exterior eu aconselho: evite rever as fotos por um tempo.

Olhar os clicks pouco tempo depois de voltar ao país pode ser 'pesado'. Eu cometi e esse erro duas semanas depois do meu retorno e só tenho a dizer que me deu um aPerto no Peito e um Nó Na alma, que disconsideram qualquer cacofonia: O desejo grita em mim: " Eu quero voltar!'

Será difícil desviar do apelo da família e amigos pedindo o registro de tudo o que você viu por lá...
'Venha e traga as fotos! Eu quero que me mostre tuuuudo!". Mas eu posso te afirmar que é mais fácil  recusar isso do que aguentar o tranco e as lágrimas ao ver os retratos e reviver as lembranças.
Fica aqui o conselho.

domingo, 19 de setembro de 2010

Piece of cake ou café pequeno

Enquanto não decido o que fazer com esse blog depois de retornar ao Brasil, a reflexão segue caminho e os posts também....


Hoje um amigo me disse: 'Pra quem enfrentou 'bons bocados' fora do país aqui será 'piece of cake'...' Mas eu me pergunto: será?

Daqui há algum tempo, talvez, poderei dizer que foi 'café pequeno' (ao menos é o que a minha fé me permite acreditar), mas por enquanto a barra está pesada, mas acho mesmo que esse é o grande barato (alguém ainda usa essa expressão, bicho?). Eu não funciono sob pressão, mas preciso de prazos. Me organizo e faço uma 'list to-do' que enquanto não cumprir eu não sossego. Sei bem que se estivesse na maré mansa era capaz de ficar boiando. Cada 'tick' é um peso tirado das costas , um macaquinho a menos na mente:


The freedom is over? Maybe, I mean, in some ways... But writing in your first language isn´t enough for you?

Se não existe certo ou errado, ser fácil ou difícil é muito relativo... Mas, vai dizer isso pra quem já estava se acostumando a atravessar as ruas  quase sem olhar... Vai  lembrar que as calçadas aqui não são individuais e que o tumulto nas ruas é, além de um incômodo, a  sorte de muitos assaltantes... Discurso anti-patriota? Ok, 'vá lá', posso estar mal acostumada... Afinal uma kettle é mão na obra para quem toma chá, mas pra quem  não abre mão da cafeteira não é lá de grande utilidade...E por aí vai, né? 

Tenho que admitir que a mamata de esperar menos de um minuto pra ter água fervida sem precisar nem abrir o microwave era bom demais, assim como ter quase certeza de que iria viajar sentada, depois de ter pago 'uma nota' no ticket de coach ou train. Além disso aprendi a gostar de ouvir por favor e obrigada (a gente sente as diferenças culturais já no atendimento dos aeroportos), mas o povo aqui tem lá  motivos que expliquem a falta de educação, ainda que não justifiquem o mal humor. 

Saudades à parte o Brasil é este e morar na nossa terra é melhor do que pisar nela. A bem da verdade, que é bela demais, apesar da educação o humor negro de lá tem nuances que nem macaco velho consegue decifrar... E cansa ouvir 'It´s ok, daling' sem saber se é verdade!

Para quem fez intercâmbio como a realização de um sonho pode esperar que será sonho mesmo: tem fim. Aliás acho que é por isso que durante praticamente seis meses não dormi direito e não sonhei enquanto dormia: estava fazendo tudo acordada. Em contrapartida, à exatos 8 dias os sonhos são frenéticos e o sono profundo que dá gosto! 

Respondi ao meu amigo: 'Não está sendo mamão com açúcar não, mas também 'né nada de outro mundo... Estou só no meu país e daqui pra frente o que falta é viver!'

terça-feira, 14 de setembro de 2010

'Lar doce lar'

Quem é aquela no me olhando do outro sofá?
O estranhamento com pessoas de outros países é natural, mas e quando isso acontece com as pessoas que costumávamos conviver, que tanto amávamos, enfim, que não eram estranhas para nós?

Depois de uma temporada fora do país é possível não reconhecer os nossos conhecidos (e vale lembrar que a recíproca também acontece).
Vejo a minha mãe sentadinha na sala, me olhando com esperança nos olhos, quase que balbuciando um
'onde está a minha filha?' e não sei o que dizer. Afinal, onde ela está? Como trazê-la de volta, uma vez que não chegou junto comigo e toda a bagagem trazida para cá?

Talvez a tal Juliana tenha ficado na Inglaterra e essa que aqui vos fala, ainda que no Brasil, sente falta de Brighton e todas as dificuldades encontradas por lá.
A saudade dos entes queridos justifica  claramente a volta para casa, mas uma vez sem a sensação de 'lar doce lar' é difícil querer os antigos problemas ao invés de novos ou distantes então...

Vale à pena voltar

Direto e simples: o retorno é complicado. Depois de um intercâmbio ou uma viagem relativamente longa no exterior, a fase de adaptação de volta ao país de origem vai depender da estrutura pessoal de cada um, mas também das mudanças ocorridas no ambiente que deixamos 'para trás'.

Aviso: se você viajou tentando fugir de alguma coisa, pensando que iria 'se livrar' das responsabilidades do lado de cá, eu digo que, no máximo, elas podem ter ficado de stand by, mas muito provavelmente estarão ainda maiores quando você aterrizar.

A saudade acumulou? Os deveres também. Recomeçar é, geralmente, mais difícil do que começar, por isso esteja preparado para abrir as gavetas e encontrar muitas agendas inacabadas, muita roupa velha que precisa ser lavada. Imperativo: Não será fácil!

Em suma, pode ser que nada tenha mudado e seja difícil lidar com isso, mas não se surpreenda também, se muitas coisas estiverem fora do lugar e você tiver que achar outro canto para ficar ou mesmo se algumas pessoas não estiverem mais por aqui. Os seus braços ficarão abertos esperando aquele abraço e a vontade de fugir poder vir à tona de novo, mas aí já é demais, não?
Tenha foco: Lembre-se de todos os 'welcomes' que você irá ouvir e de todas as pessoas que esperavam e te recebem aqui. Eles te darão força para que o seu novo eu entre nos trilhos de cá.

Chega de 'bicos'! Se você foi daquele que fez de tudo um pouco para se sustentar no exterior, lembre-se que no seu país 'são outros quinhentos'...Aqui a coisa é 'em Real'. Os dólares, libras e Euros  ficaram para trás... Segura a onda e a graninha no bolso. Você, provavelmente deve ter que procurar um emprego e se recolocar no mercado de trabalho é algo que requer tempo e paciência.

Cada qual com o seu motivo: ou porque o visto expirou, por falta de grana, por saudade, por medo, enfim... É hora de voltar e tem que se crer que vale à pena.  Ainda que sinta desejo de viajar de novo, não se desespere, esse mix de sentimentos é normal, mas a sua própria mudança interior te ajudará a superar a dificuldade de encontrar tantas ou tão poucas mudanças por aqui. 

E o tic tac do relógio? Se acostumar com o fuso horário leva um tempinho, mas ora, até jogador de futebol consegue! O que posso dizer é que a fase de adaptação vai muito além disso, pois as pedras rolam no meio do caminho. E aí, vai encarar?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Packing

Mudar é tão necessário quanto difícil e fazer as malas é uma das árduas tarefas que consomem tempo e requerem organização. Mas como colocar as coisas no lugar quando a mente está tão fora de ordem?

Para 'passageiro de primeira viagem' esse processo pode ser ainda mais longo e penoso. Uma vez empacotado o quarto do Brasil nas malas levadas para o exterior, como deixá-lo por lá?  Há que se ter muito desprendimento, mas também discernimento sobre o que é REALMENTE necessário.

Alguém me disse: "Emagreça! Venha leve! Faça com as malas o que não consegue fazer com o corpo..."rs A piada não me caiu muito bem, mas tem um fundo de razão...Ou não?

Como o ser humano é mesquinho... Cadê o tal lance de que o que vale é a experiência...Isso ninguém te tira? Na hora de voltar é difícil querer só levar lembranças, ainda mais quando a memória não é das melhores. Enfim, a dúvida é necessária, mas a maré de questionamentos nos leva a pedir opinião de tanta gente, que a confusão fica ainda maior. E os conselhos são os mais variados:
" Deixa tudo- comece uma nova vida!"
" Traga muuuitos souvenirs, afinal, você não sabe quando voltará!"
"Gaste com você e traga apenas cartão postal para todo mundo!"
"O que importa é ter você de volta, mas umas lembrançinhas são sempre bem vindas"
"Caia na real! Você foi aí pra estudar, todo mundo sabe disso e ninguém vai te cobrar nada!"
"Junte todo o dinheiro que puder porque quando chegar aqui estará desempregada."
E por aí vai...
O que fazer com tanto palpite se a peneira deixa cair todos nas minhas mãos? Tenho seis dias para descobrir e agora é comigo: aliás, sempre foi e será!

Essa última semana deveria ser de paz e tranquilidade (e quanto a isso todos estão de acordo), entretanto, não é fácil conter a ansiedade e escolher os melhores caminhos sem deixar nada para trás, já bastam as PESSOAS que ficam e essas, meu Deus, são insubstituíveis!!