terça-feira, 17 de agosto de 2010

'Vida que segue'

 A gente pode perder tempo, mas ganha muito conhecimento. No exterior estão todos buscando algo bem específico: melhorar o inglês, conhecer mais do mundo, relaxar, estudar, trabalhar ou, como eu, tudo isso e mais um pouco.
Portanto, a não ser que fique trancado no quarto, 'preso' no computador, fazer qualquer coisa é uma boa escolha. Isso vai de trabalhar em cargos que jamais cogitou até ir a uma balada sozinho, porque durante uma simples caminhada o inglês vai entrando pelos poros e, não somente ele, mas outras línguas. 

O estranhamento gera curiosidade e esta, por sua vez, uma incrível oportunidade de ser feliz. Pode parecer exagero, mas não é. Ainda que a tristeza da saudade esteja de pano de fundo, a alegria pelas pequenas coisas preenche grande parte do tempo. Puxar assunto com um desconhecido passa a ser um hábito, não mais uma loucura. Definitivamente sentirei falta disso quando for embora...

 Certa vez um professor daqui disse:' A Juliana pode fazer papel de maluca, mas aprende bem o inglês! Enquanto a maioria enche a cara no pub, ela está conversando com o bando de britânico bêbado que se encontra por lá. E esse inglês não é fácil de pegar!' ( k, não foi exatamente assim, mas ainda não sou tradutora juramentada, então me deêm um desconto).

 Já sei que sentirei falta de muita coisa e essa é uma delas: vivendo fora apreciamos mais facilmente a beleza das tais 'pequenas coisas' e é difícil passar por momentos de tédio. Há sempre um lugar, uma rua, muitas pessoas e palavras para se conhecer. Cada conversa, por mais chata ou ridícula, é uma aula e tanto!

Ainda que não tenha a fantástica desculpa de estar treinando o meu inglês vou tomar conta para que continue com olhos de ver ao voltar para a minha terra. Sei que será difícil nao me preocupar com o que os outros pensam, até porque não são bem outros, são 'os' outros que tanto considero. 

Aqui tanto faz quem me olha, não sabem quem sou, não mais verei e, ainda por cima, tenho mais inglês para me preocupar do que pensar no que pensam de mim! Do lado de fora está todo mundo no mesmo barco: preocupado com o seu crescimento (seja cultural, linguístico ou de entretenimento). Isso alivia um pouco a barra daqueles que ainda não apertaram o botão do F-SE quando se trata da opinião alheia. 

Não será fácil voltar a uma rotina muito mais cheia do mesmo, porque aqui o novo nunca deixa de ser evidente. Tenho pouco mais do que 20 dias para treinar a minha paciência e emperequetar a minha capacidade de percepção. Daí pra frente é 'vida que segue...' Dizem que essa experiência vai mudar a minha vida para sempre. Não acho que não é por aí. Acredito que do lado de lá está tudo igual, mas eu mal posso esperar para conhecer o meu novo eu!

5 comentários:

  1. E eu mal posso esperar para te abraçar e beijar muito! Minha escritora preferida!

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  2. E eu minha sobrinha guerreira e amada!!!!...eu li, com um nó na garganta e em lágrimas!!! Lindo!!!

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  3. Ai, tia... Logo vc que desamarra alguns dos meus nós...Te amo, viu?

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  4. Amei!!! Consigo me relacionar muito com tudo que vc escreveu...principalmente o de poder ser quem vc quer ser, sem se preocupar o que os outros iram pensar. :-)

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