sábado, 10 de abril de 2010

"Eu acordo pra trabalhar, eu durmo pra trabalhar"

Não é lenda nem exceção: trabalhar no exterior é difícil demais. Ou por falta de oportunidade ou por excesso de sub-funções. Sim, todo o trabalho dignifica o homem, mas aquele do qual não se faz parte perde o sentido.
Com a crise econômica na Europa muitos estrangeiros deixaram de acreditar em vir morar nessas bandas para fazer dinheiro. Ainda sim é extremamente comum que pessoas venham estudar línguas e precisem trabalhar para financiar a empreitada. Em outros casos o trabalho é o exercício da língua: serve como aula prática.
 Mas será que você está preparado para o que vai ter pela frente?
Fazer faxina é algo comum, mas não tão 'duro' quanto no Brasil. isto é, se você gosta ou consegue carregar muito peso. Enquanto os brasileiros se concentram mais em 'lavar roupa todo o dia' o lance aqui é arrastar móveis, tirar o pó, mudar a mobília...Questão de se acostumar.
Se você já trabalhou em uma fábrica antes não venha achando que aqui será a mesma coisa: sabe aquelas 'pessoas invisíveis' pelas quais passamos e apenas dizemos bom dia? Seremos eles. E sabe o que eles fazer? A mesma coisa durante 8 horas. A gente ouve dizer sobre isso, até temos vimos em Tempos Modernos, com o querido Chaplin, mas imaginando é bem diferente. O tédio pode causar stress, depressão e pensamentos nunca dante cogitados.
 E o que dizer de trabalhar em restaurante? Como waitress é quase a mesma coisa exceto pelo detalhe de que, dependendo do seu nível de inglês, você tenha que pedir para o cliente apontar, desenhar, fazer mímica...
Trabalhar é preciso, viver não é preciso... Alguém disse isso?
Enfim, essa é a sensação que costumamos sentir quando estamos no exterior... Esse post pode parecer meio pessimista demais, pois, é claro, que são muitos e variados os casos de estrangeiros a trabalhar fora do país. Mas as piores advém do pensamento do patrão de que todo estrangeiro é imigrante. Imigrante e escravo são sinônimos? Às vezes parece que sim...


2 comentários:

  1. Oi Julie, sou a Julia, uma conhecida indireta de você, segundo dizem não estamos separados de ninguem do mundo por mais de oito pessoas (risos). Então também passei um tempo nos EUA, mas como estudante. Divido em partes as sensações que você está sentindo, principalmente a da invisibilidade e de uma certa solidão. Infelizmente é bem verdade, lembro de sentir uma solidão imensa mesmo em lugares lotados, mas com um tempo fiz algumas amizades e pensava que estava fazendo tudo aquilo para algo maior. Temos a impressão que nós brasileiros somos super receptivos de coração aberto, sem preconceito de nada e de niguém, contudo estamos sempre à tecer julgamentos dos outros, vivia dizendo que os americanos eram frios e agora lendo no seu blog tive a mesma impressão dos britanicos. Talvez eles pensem que somos expansivos de mais, cabe a nós sermos também flexiveis e compreendermos outras culturas. Adorei ler seus textos, bem escristos, "mal" de jornalista!!!! Vou tentar alcompanhá-los, sempre desejei ir para Europa. queria saber se já teve a oportunidade de visitar Paris? Passou pelo bar do Hemingway??
    Saudaçoes brasileira!!!!

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  2. Oi Júlia! Primeiramente é um prazer ter você por aqui e, finalmente, conseguir contato.
    Você está certíssima sobre os nossos 'pré- conceitos' sobre as outras culturas... Vivemos de discursos saudosistas que carregam verdades e meias-verdades... Estarei mais atenta à isso.
    Infelizmente só terei um dia em Paris, mas agora com a sua indicação já sei o que fazer â noite. Obrigada e até breve! Beijocas

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